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A Associação CLENARDVS tem como objectivo principal a promoção e o ensino da Cultura e das Línguas Clássicas, em Portugal e nos países de língua portuguesa.

É, essencialmente, uma associação de professores do Ensino Secundário e Universitário, que leccionam línguas clássicas, mas integra, também, nos seus corpos sociais, arqueólogos e historiadores, pois considera que a interdisciplinaridade é essencial para o conhecimento.

A Associação visa apoiar entidades e instituições públicas e privadas, escolas, alunos e docentes a integrar e promover projectos ligados à Antiguidade, levando à democratização do ensino da Cultura e das Línguas Clássicas e permitindo o livre acesso a este saber milenar.

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Ludi Apollinares

Moeda romana antiga representando o Ludi Apollinares.

Os Ludi Apollinares eram jogos sagrados, que foram instituídos em 212 a.C., em honra de Apolo, com o objectivo de conjurar os perigos que despontavam da Segunda Guerra Púnica. Decorriam no Circo Máximo entre os dias 5 e 12 de Julho e eram presididos pelo pretor urbano. A partir de 208 a.C. passaram a ser celebrados com periodicidade anual.

O ritual dos Ludi Apollinares eram diversos e com celebrações diversas. Assim, ocorriam as súplicas das matronas, sacrifícios a Apolo e a Latona, representações cénicas e espectáculos circenses.


Bibliografia Geral:

Valverde, José Contreras et alii, Diccionario de la Religión Romana, Ed. Clásicas, Madrid, 1992.

Populifugia

Os Populifugia (Populifuges) eram festas, que se celebrava dia 5 de Julho, em honra de Júpiter. A sua origem e ritual são incertos.

Nuno Simões Rodrigues refere que após a morte de Remo, “Rómulo começou a abusar do poder que lhe fora conferido, agindo como um tirano, no sentido pejorativo do termo, o que desagradou aos maiorais dos Romanos. Assim, os patrícios conspiraram contra o seu rei e mataram-no, dividindo o seu corpo em pedaços, o que explicaria a falta de uma sepultura. Depois, o povo teria dispersado e, em comemoração disso, ter-se-ia começado a celebrar os Populifugia, a festa da «fuga do povo».”[1]

As fontes relativamente a este assunto da «fuga do povo» são diversas, como já referimos, as causas. Varrão aponta que a fuga se deve aos acontecimentos que ocorreram depois dos gauleses terem incendiado Roma. Os Romanos, na sequência do incêndio foram atacados pelo Ficuleae e pelos Fidenae, levando à debandada dos habitantes de Roma. Mas passados dois dias reagiram e voltaram para a ocupar a cidade, comemorando a vitória. Os autores são controversos também quanto aos povos que atacaram os Romanos, Macróbio aponta que foram os toscanos e Plutarco que foram os latinos.

Dies Poplifugia videtur nominatus, quod eo die tumultu repente fugerit populus;[2]

‘O dia parece ser chamado de Poplifugia, porque nesse dia o povo fugiu de repente com um alvoroço’.


Bibliografia Geral:

Valverde, José Contreras et alii, Diccionario de la Religión Romana, Ed. Clásicas, Madrid, 1992.

[1] Rodrigues, Nuno Simões, Mitos e Lendas da Roma Antiga, Livros e Livros, 2005, pp.148-149.

[2] http://www.thelatinlibrary.com M. Terentius Varro – De Lingua Latina, VI, 18.

Mensis Iulius

Gaius Iulius Caesar – Museu do Vaticano

O mês de Julho, nos antigos calendário Romano, designava-se Quintilis, uma vez que era o quinto mês do ano.

Com a entrada em vigor do Calendário Juliano, nas Kalendas (primeiro dia) de Janeiro, do ano de 45 a.C., a designação de Quintilis, manteve-se, não como o quinto mês do ano, mas como o sétimo mês do ano, uma vez que os meses de Ianuarius e Februarius deixaram de ser os dois últimos meses do ano e passaram a ser os dois primeiros meses do ano.

Ora, a mudança para Mensis Iulius acabou por acontecer, por indicação do senado romano, no ano de 44 a.C., em homenagem ao estratega militar e líder Romano, que nascera precisamente neste mês de Quintilis, que passaria designar-se Iulius.

Iulius mensis a Iulio Caesare Romanorum Imperatore nomen sortitus est, qui prius Quintilis appellabatur.[1]

‘O mês de Julho recebeu o nome de Júlio César, Imperador Romano, que inicialmente se chamava Quintilis.’


[1] Fortunio Licerto Genuense, De Lucernis Antiquorum reconditis, Libb. Sex.