Civitates

Filomena Barata

A página pretende divulgar as “civitates et villae” do território actualmente português.

Iniciaremos pelas ciuitates, pois a cidade é um dos alicerces de um Império, que assenta, por um lado, na «normalização» que tenta imprimir às mais longínquas fundações, mas que se sustenta, por outro lado, à custa da diversidade local e da maximização das potencialidades regionais, faz-nos dimensionar a complexidade de questões que se levantam ao estudo da organização urbana em época de dominação romana.

Depois de terem apreendido as características naturais destes lugares e que os estuários podiam prestar um serviço semelhante ao dos rios, os habitantes fundaram cidades poderosas e outras povoações nas suas margens, como nas dos rios. Entre elas estão Asta, Nabrissa, Ónoba, Ossónoba, Ménoba e outras mais.

Estrabão, (c. 64 a. C. – c. 23 d. C.)

Geografia, livro III, introdução

J. Deserto, S. Marques (trads.), Estrabão. tradução do grego e notas. S. l.: Imprensa da Universidade de Coimbra, 2016, p. 46.

A noção de urbanidade, de que já os Romanos fizeram um dos pilares «civilizadores», contempla não só o fenómeno citadino propriamente dito, mas também a ideia de centros polarizadores de unidades territoriais, administrativas, económicas e produtivas que geram e partilham da dinâmica da cidade e das permutas feitas entre esta e outros «lugares centrais».
À volta de um aglomerado central do ponto de vista político e económico, desenvolvem-se no território pertencente à ciuitas um conjunto de actividades económicas de características fundamentalmente rústicas, pois nelas assenta maioritariamente a estrutura do Império que, gradualmente, se vai tornando mais comercial.
A relação entre estes «centros» e as suas «capitais» e entre eles e os seus «territórios» fornecedores dos produtos indispensáveis para a manutenção dos aglomerados urbanos não é, por seu lado, estanque ou fixa no tempo, dependendo das relações de dominação militar e política que se estabelecem entre vencidos e vencedores, ou da permeabilidade que se consegue com as pré-existências culturais e económicas.

Vestígios da Antiga Egitânia.

A criação de núcleos urbanos e de uma boa rede viária que os ligava foi, pois, um dos veículos usados para a penetração e difusão da Romanidade, favorecida pelas elites locais, que procuravam a todo o custo manter a sua situação privilegiada, garantida ou mesmo beneficiada à medida que a municipalização desses núcleos se vai alargando.

O fornecimento de água às cidades foi uma constante preocupação no Mundo Romano.
Os aquedutos, sistema de engenharia que permite transportar água a grandes distâncias, e infraestruturas de recolha e escoamento de água garantiam a acessibilidade desse recurso fundamental aos meios urbanos.

A existência de balneários públicos era também fundamental para as cidades, garantindo a higiene e conforto dos seus habitantes. Isso reforça a preocupação com o abastecimento de água.

Gradualmente, tentaremos falar da presença romana no território, porque com a romanização assiste-se a uma  exploração mais intensiva dos recursos – os agrícolas; os mineiros e os marítimos com a proliferação dos complexos pesqueiros e de preparado de pescado, aproveitando a frente atlântica – e das actividades transformadoras – a olaria, a tecelagem, a forja, entre tantas outras.

Vulgariza-se a utilização do sistema monetário.

A nova arquitectura, a engenharia  e o urbanismo marcam todos os espaços, seja nas cidades ou no meio rural e impõem-se pela supremacia técnica e evidente funcionalidade.

Sumidouro de Conímbriga.

Filomena Barata

Para consultar Bibliografia geral, poderá fazê-lo aqui

La province de Lusitanie (J. Edmondson). Aqui